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I Encontro Nacional de Articulação de Ações da Rede Apae debate caminhos para implementação do Ano da Família Apaeana

Realizado em Brasília (DF), evento reuniu participantes em uma programação voltada à integração entre áreas, planejamento em rede e atuação das famílias

Ana Carolina Santana

07/05/2026

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A Federação Nacional das Apaes (Fenapaes) promoveu, entre os dias 4 e 6 de maio, em Brasília (DF), o I Encontro Nacional de Articulação de Ações da Rede Apae. Sob o tema “Caminhos para implementação do Ano da Família Apaeana”, a iniciativa teve por objetivo promover a integração entre as áreas da Rede Apae, alinhar estratégias de atuação e discutir ações voltadas às pessoas com deficiência e suas famílias em todo o país.


O encontro contou com a presença do presidente Jarbas Feldner de Barros; do vice-presidente Léo Loureiro; dos diretores Financeiros Narciso Batista (1º) e Ottão Pereira (2º); dos diretores-secretários Vanderson Gaburo (1º) e Ilda Salvático (2ª); das diretoras Neuza Soares (Social), Fátima Godoy (Patrimônio) e Rosane Jahnke (Assuntos Internacionais); dos autodefensores nacionais Gustavo Silva, Paula Nascimento, Maria da Conceição e Victor Holanda; e dos coordenadores nacionais. Participaram ainda presidentes e coordenadores estaduais dos 26 estados e do Distrito Federal, além de membros e representantes do governo.


Ao longo dos três dias, a programação contou com apresentações, oficinas, mesas de articulação de políticas públicas e momentos de integração entre as coordenadorias das áreas de Família, Autodefensoria, Envelhecimento, Assistência Social, Educação, Saúde, Arte e Cultura, Educação Física, Desporto e Lazer e Inclusão no Mundo do Trabalho.


Na ocasião, o prof. Jarbas Feldner afirmou que o momento representa uma mudança importante na forma como o movimento apaeano tem pensado a atuação junto às famílias. Segundo ele, o Ano da Família Apaeana propõe um trabalho mais próximo da realidade vivida pelas famílias atendidas pela Rede.


“Nos reunimos para discutir um grande projeto, que é uma virada de chave dentro do movimento das Apaes do país, que é o fortalecimento do trabalho em função das famílias. O nosso encontro tem esse foco de fazer com que a família seja olhada num todo, que os filhos com deficiência, o pai, a mãe, os irmãos, todos estejam envolvidos dentro dos projetos que estamos desenvolvendo”, afirmou.


Ao abordar os encaminhamentos construídos ao longo da programação, o líder do movimento apaeano declarou que o encontro marca um passo relevante para ampliar a participação das famílias nas ações da Rede Apae Brasil e aproximar cada vez mais esse público das discussões institucionais.


“Uma coisa que sabemos é da importância da família, da participação da família no movimento. Mas nós devemos fazer com que essa participação seja mais intensa. Então, o momento agora é de que essa família que sempre esteve presente, possa ser mais participante, estar mais envolvida”, pontuou.


Para Léo Loureiro, o encontro possibilitou um olhar mais atento às diferentes realidades vividas pelas Apaes e às necessidades apresentadas pelas famílias e pelas pessoas com deficiência.


“Esse evento de articulação é importantíssimo, porque nós precisamos, cada dia mais, ouvir as famílias, ouvir os nossos usuários para podermos criar políticas públicas e políticas internas que ajudem a melhorar o nosso trabalho. Um momento como esse é riquíssimo porque podemos ouvir todo o Brasil e trazer as experiências exitosas e as necessidades de cada região”, frisou.


O vice-presidente também considerou que os debates e as atividades realizados ao longo dos dias deixam propostas relevantes para os próximos passos da entidade e para a atuação das Apaes.


“O momento é único, porque a gente consegue realmente entender onde podemos melhorar e o que está faltando. Então, esse tempo é rico e essa troca é importante e vai nos ajudar a transformar vidas”, concluiu.


Famílias no centro da construção coletiva


Ao discorrer acerca da construção do Ano da Família Apaeana dentro da Rede, a coordenadora nacional da Família, Hosana Velani, ressaltou que a iniciativa representa um marco ímpar para o movimento apaeano por colocar as famílias no centro das discussões e do planejamento institucional.


“A luta da família é histórica. Esse Encontro de Articulação de Ações é uma conquista da família, porque ele é o resultado da escuta da nossa voz. E é na união que mora a essência do movimento apaeano”, afirmou.


Hosana pontuou ainda que o encontro deve gerar direcionamentos mais práticos voltados ao fortalecimento do atendimento oferecido às pessoas com deficiência e suas famílias em todo o país.


“O mais importante é que esse encontro vai impactar diretamente toda a Rede. Daqui vão sair compromissos que vão fortalecer o nosso trabalho. Estamos em busca de excelência em todas as áreas de atendimento”, salientou.


Já Rodolpho Bernardina evidenciou a integração entre as coordenadorias da Apae Brasil como estratégia a fim de fortalecer o serviço desenvolvido pelas mais de 2 mil entidades. Para ele, o encontro possibilitou aproximar áreas que atuavam de forma separada, promovendo, assim, um trabalho mais articulado dentro da Rede.


“Aquilo que a gente trabalha dentro das instituições, com as caixinhas separadas da assistência, da saúde e da educação, principalmente nessas três coordenadorias, nós estamos conseguindo, nessa oportunidade, juntá-las e trabalhar a unicidade”, disse.


Integração das áreas e planejamento em rede


Ao refletir sobre a proposta do encontro, a coordenadora nacional de Assistência Social, Ivone Maggioni Fiore, destacou que a ocasião representa uma oportunidade de articular atividades conjuntas entre as áreas da Rede Apae. “É um momento estruturante de ações. Um momento de refletirmos sobre as nossas ações cotidianas e de planejarmos o futuro da Rede Apae Brasil, pensando que a centralidade das nossas ações está na família.”


Na avaliação do coordenador nacional de Educação e Ação Pedagógica, Luiz Fernando Zuin, a iniciativa marca o início de um trabalho voltado ao fortalecimento do pertencimento e da participação das famílias dentro do movimento apaeano. “O propósito do encontro foi integrar as três áreas para que a gente possa, por meio delas, alcançar os objetivos no atendimento ao usuário, mas também às suas famílias”, salientou.


O coordenador nacional de Prevenção e Saúde, Daniel Barbosa, definiu o encontro como um marco para a retomada da missão institucional da Rede Apae ao recolocar as famílias no centro das discussões e dos serviços ofertados. “Quando falamos de integração das ações, falamos dos serviços realizados pelas nossas unidades para as pessoas com deficiência, mas sem deixar para trás a centralidade da família nesse apoio todo, na educação, na saúde e na assistência social.”


Autodefensoria e participação das famílias


Durante o encontro, os autodefensores nacionais ressaltaram a importância da construção coletiva promovida pela articulação entre as áreas da Rede Apae. Para Gustavo Silva, os debates e propostas desenvolvidos ao longo dos três dias contribuirão diretamente para o fortalecimento das famílias e das pessoas com deficiência em todo o país.


“Foi um momento muito importante para o movimento apaeano, onde foram elaboradas várias propostas para que a gente possa levar para as nossas unidades, fortalecendo ainda mais as nossas famílias e os nossos autodefensores”, declarou.


Paula Nascimento reforçou a necessidade de ampliar o olhar sobre o papel das famílias dentro do processo de inclusão e acolhimento das pessoas com deficiência. Segundo a autodefensora, o fortalecimento da autonomia e do protagonismo passa também pelo reconhecimento das famílias como parte essencial.


“A gente precisa acreditar na autonomia e no empoderamento da pessoa com deficiência, mas a família também precisa se sentir pertencente, se sentir base, porque tudo começa na base”, salientou. “Agora, a inclusão acontece quando a família é vista, e quando a família e as pessoas com deficiência são acolhidas. Nós precisamos cuidar de quem cuida”, acrescentou.


Participação social e defesa de direitos


A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, destacou que o encontro simboliza o comprometimento com a construção de uma sociedade mais inclusiva e acessível. Segundo ela, reconhecer a importância das famílias nesse processo é compreender o papel de quem acompanha diariamente a trajetória das pessoas com deficiência.


“Esse encontro é mais do que um espaço de articulação. Ele representa também um compromisso coletivo com a construção de um país mais inclusivo, acessível, justo e humano. Colocar essas famílias no centro do debate é reconhecer quem luta, quem insiste, quem reorganiza a própria vida para garantir cuidado, proteção e acesso a direitos”, declarou.


O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Roberto Tiné, ressaltou a importância da iniciativa da Apae Brasil ao instituir o Ano da Família Apaeana. Ele destacou ainda que ampliar o olhar para as famílias demonstra um avanço significativo para a garantia de direitos e para o fortalecimento do atendimento às pessoas com deficiência.


“Parabenizo a Apae por nomear este ano como o Ano da Família Apaeana, porque isso representa, na vida das pessoas com deficiência, um ganho significativo e pode fazer uma grande diferença mais na frente”, salientou.


O secretário da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, Willian Cunha, também ressaltou a relevância do debate sobre a participação das famílias e a atuação articulada da entidade. “Esse tema da família e da articulação em rede é bastante importante, porque a gente passa a fazer uma reflexão de onde nós estávamos e onde nós chegamos. E que é graças aos nossos pais que estamos aqui”, pontuou.


Construção de propostas e próximos passos


O I Encontro Nacional de Articulação de Ações da Rede Apae encerrou a programação com a elaboração de 480 ações propostas pelas áreas de assistência social, saúde, educação e família. As contribuições foram construídas ao longo de oficinas, mesas de trabalho e momentos de pactuação realizados durante as atividades.


As propostas reúnem demandas comuns da Rede Apae Brasil e especificidades apresentadas pelos estados participantes, traçando um retrato de diferentes realidades vividas pelas unidades em todo o país. O material deverá compor um banco de dados a ser disponibilizado no site da Apae Brasil, servindo de apoio para o desenvolvimento das ações do Ano da Família Apaeana.

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